Sistemas de defesa no basquetebol





    O ato de defender envolve alguns princípios fundamentais, como primeiro marcar, antecipando-se aos gestos técnicos dos adversários; cumprir com sua missão específica na marcação; ajudar na marcação de outros jogadores; e deslocar-se em função da movimentação dos adversários e da bola.

    A defesa inicia-se, imediatamente, quando a equipe ofensora perde a posse de bola, o que resulta na transição defensiva, podendo ser subdividida em - defesa temporária - através do prolongamento da transição defensiva, tendo o defensor que retornar à sua quadra em linha reta e o mais rápido possível, na intenção de não predispor vulnerabilidade a sua equipe; a - defesa organizada - que consiste no período em que os jogadores ocupam suas posições específicas no campo defensivo; e, a - defesa em sistema - que se dá logo após a ocupação destas posições específicas de defesa, resultando na realização das ações táticas, na intenção de impedir ou dificultar as movimentações e as finalizações (REIS, 2005).

    No Basquetebol, existem dois tipos básicos de defesa: um, que se baseia na marcação por zona ou por regiões da quadra, onde o jogador responsabiliza-se por uma determinada área do campo de jogo, e, outro que se fundamenta na marcação, específica, de um determinado jogador, denominada de marcação individual. Cada equipe deve preferir uma das duas marcações, dependendo das características da equipe adversária, das suas próprias particularidades e/ou a situação específica de um jogo/competição.

A marcação por zona

    Historicamente a marcação por zona foi criada no ano de 1910, nos Estados Unidos, tendo como principais objetivos dificultar as infiltrações e os rebotes dos oponentes; facilitar os rebotes defensivos; viabilizar os contra-ataques e a volta à defesa; a diminuição do número de faltas e o aproveitamento de jogadores menos rápidos, tendo como principal eficiência o enfrentamento de equipes deficientes nos arremessos de curta e média distâncias, com maus passadores e eficientes nas infiltrações (REIS, 2005). Em contrapartida, exige melhor treinamento de conjunto e comunicação entre os defensores,

    Alguns tipos de marcação por zona podem ser ilustrados, a exemplo da 2x1x2; utilizada quando a equipe ofensora possui jogadores habilidosos no confronto individual, mas que apresenta deficiências nos arremessos de média e longa distâncias. Características, basilares, que devem ser consideradas sempre que se opta em marcar por zona.

    Portanto, com a configuração deste tipo de marcação, congestiona-se o garrafão, dificultando as infiltrações, obrigando a equipe adversária a recuar o seu ataque, afastando-se da área restritiva, e a tentar os arremessos de média e longa distâncias dos quais ela tem maiores dificuldades.

    A característica particular desta é que ela é a considerada a "matriz" de todas as outras, onde a partir dela há outras possibilidades de variações. Ilustrando-a, forma-se um desenho no formato do número 5 (cinco) de um dado, conforme a figura a seguir:

    Entre as variações, cita-se a marcação por zona 3x2, utilizada quando a equipe defensiva é "eficiente nos rebotes", com bons e altos pivôs.

    Assim, por subentender-se uma grande possibilidade do adversário ser induzido aos arremessos, e, por consequência ao erro, forma-se uma linha de três defensores na parte superior do garrafão, e outra de dois mais próximos à cesta, auxiliando que a equipe defensiva evada, rapidamente, para o "contra-ataque", logo após a conquista do rebote defensivo. Conforme modelo a seguir:

    Outro tipo é a zona 2x3, preferida quando a equipe defensiva não possui um rebote tão eficiente como no exemplo anterior, fazendo-se necessário, portanto, a formação inversa a 3x2, através de uma linha de três reboteadores posicionados logo abaixo da cesta, na intenção de garantir o rebote defensivo, e uma segunda linha de dois defensores na região superior do garrafão, impedindo as infiltrações e os arremessos daquela região, bem como viabilizando os contra-ataques, caso a equipe recupere a bola através do rebote defensivo. Conforme modelo a seguir:

    Um terceiro tipo é a 1x3x1, que deve ser eleita quando se enfrenta uma equipe que atua com dois pivôs (número 5), altos e bons tecnicamente, e que realizam triangulações eficazes, bem como com bons arremessadores de média distância e das laterais do garrafão.

    Para tanto, monta-se uma linha de três marcadores no centro do garrafão e outros dois jogadores isolados; um deles, logo na cabeça e o outro próximo ao aro, com o primeiro intencionando evitar a penetração do armador adversário por esta região, e o segundo, ainda com a finalidade de continuar garantindo o rebote defensivo.

    É justamente esta linha de três marcadores no centro do garrafão que dificultará a referida atuação dos pivôs adversários, que triangulam e trocam de posicionamento constantemente, como também os dois marcadores externos da mesma linha de três, por ficarem alocados fora da área restritiva, possibilitam a marcação dos jogadores que arremessam daquela região. Como exemplo, forma-se um desenho em formato do sinal de + (mais), conforme ilustra a figura a seguir:

    Na Marcação por Zona Box-one, tem-se o primeiro tipo que mescla as duas defesas -individual e zona- e, assim, quatro jogadores se organizam dentro do garrafão, cada qual responsável por sua região, em forma de uma "caixa" (box), ou de um quadrado (□), ainda na intenção de evitar as infiltrações e viabilizar os arremessos de fora.

    No entanto, como particularidade, esta é eleita sempre que na equipe adversária existe um jogador diferenciado, que possui habilidades especiais, com possibilidades de desequilibrar uma partida. Portanto, um jogador que necessita de uma atenção defensiva especial.

    O termo - one - refere-se a o "único" jogador designado a realizar a marcação individual deste jogador diferenciado, estando ele com a bola ou não. Vide ilustração a seguir:

    Esta marcação também possui outras variações, no que diz respeito à organização dos defensores no entorno do garrafão, que podem ser formadas de acordo com as características dos adversários, e são elas:

    A zona Box-one com a formação em Losango, quando a figura formada pelos marcadores faz alusão a um losango (◊) ao invés de um quadrado (□), e o quinto jogador também marca individualmente. A diferença consiste em alocar um jogador em baixo da cesta para garantir o rebote, bem como outro defensor para anular um armador que pode fazer arremessos ou infiltrações da "cabeça" do garrafão.

    Outra variação da Box é a Zona Triangle, onde se tem a opção da primeira variante através da formação de um triângulo tradicional (Δ) na marcação da área restritiva. Utilizada quando mais de um jogador, ofensivo, requer atenções especiais, e, portanto, dois bons defensores são incumbidos de marcá-los, conforme a ilustrações a seguir:

    E, a formação de um triângulo invertido (▼), formando uma linha de dois jogadores, logo na parte superior do garrafão, e outro sozinho, logo abaixo o aro.

    Noutra Marcação por Zona, agora conhecida como "Rest-one", apresentam-se mais uma variação da Box, mas, às avessas, pois, na equipe adversária, ao invés de um jogador diferenciado, têm-se um jogador fraco tecnicamente, que pode ser relativamente preterido no momento da marcação.

    Assim, apenas um jogador defensivo recebe a designação de permanecer na formação em zona, ficando responsável pelo núcleo do garrafão defensivo, deixando esse jogador relativamente livre, desde que fora da área restritiva, oferecendo-lhe marcação somente caso o mesmo faça alusão em penetrar o garrafão. Caso contrário, flutua-se, ajudando na marcação de outros jogadores que estão sendo marcados individualmente pelos outros quatro defensores e, preconiza-se que este defensor tente pegar o rebote, logo após o erro de finalização do ataque.

    Rest-one faz alusão ao jogador que "sobra", que resta, que não precisa de marcação especial. Obviamente que se trata de uma situação difícil de ser encontrada em alto nível, mas, muito comum em categorias de base.

    Na Marcação por Zona Match-up, tem-se uma das variações mais utilizadas no Basquetebol moderno e de alto nível, particularmente na NBA, na WNBA e na Liga Europeia ACB, e consiste numa variação da própria marcação Box-one, por também configurar-se num tipo de defesa mista, com quatro jogadores organizados em zona e um sempre marcando individualmente algum adversário.

    No entanto, sua particularidade reside no fato de que - não há - um atacante, específico, a ser marcado individualmente, e, sim, a regra é marcar individualmente o jogador que estiver "em posse da bola", e onde os outros devem permanecer organizados em zona, alterando-se esta configuração, cada vez que a bola muda de posse/jogador durante o ataque.

    Na marcação conhecida como - zona pressão - utiliza-se as mesmas configurações das defesas supracitadas, mas, neste caso, amplia-se o campo de defesa para todo o espaço da quadra, extrapolando as áreas restritivas do garrafão, onde as defesas em zonas costumam atuar. Empregada, normalmente, em momentos específicos, tais como ao final de um período, tempo ou jogo, onde a equipe encontra-se em desvantagem no placar, ou após um lance, na tentativa de surpreender o adversário e recuperar a bola.

    A principal desvantagem centra-se na possibilidade da equipe atacante conseguir executar uma troca de passes rápida e eficiente, e, consequentemente, desvencilhar-se dos marcadores e atingir a cesta.

A marcação individual

    Neste tipo de marcação, que originalmente surgiu com o próprio Basquetebol, é, geralmente, bastante eficiente, mas, leva a um número maior de faltas, em face ao maior contato físico dos marcadores com os atacantes; razão pela qual exige equipes com um bom banco de reservas (REIS, 2005).

    Sua principal característica e a marcação, específica, de cada oponente, sendo nesta de fundamental importância equivaler habilidades técnicas, funções táticas, competências físicas e etc., no momento de eleger marcadores e jogadores a serem marcados. E, apresenta algumas possibilidades de variações:

    Primeiro, as marcações que são realizadas nos jogadores - em posse da bola - onde a primeira possibilidade que se apresenta é a do tipo simples, e consiste no processo onde o marcador posiciona-se fechando a linha "entre a bola e a cesta", seguindo o atacante na movimentação, sem perder a visão da bola e dos demais jogadores de ataque. Como vantagens, neutralizam-se os arremessos de longa e média distâncias e dificultam-se os passes. A desvantagem esta nas possibilidades de deixar a defesa vulnerável às infiltrações, oriunda dos "cortes" individuais que a marcação pode sofrer. Conforme ilustra a "linha vermelha" da figura a seguir.

    Outro tipo é a - defesa individual com troca - utilizada principalmente quando o atacante, em posse de bola, recebe um corta-luz, e a defesa realiza a troca dos marcadores. Como vantagens, evita, com maior ênfase, as infiltrações e também diminui o desgaste físico dos defensores. Como desvantagens, a defesa pode sofrer o denominado "Pick and roll", onde o jogador que executa o bloqueio gira em direção a cesta e fica livre para receber um passe e finalizar.

    Outra desvantagem consiste no fato das trocas poderem acontecer, sem que haja uma equivalência física, técnica ou tática dos marcadores, em relação aos atacantes, colocando um defensor em alguma dificuldade.

    Na - defesa individual com antecipação - tem-se uma variante mais agressiva, que visa recuperar a bola, antecipando-se ao passe do adversário. O jogador deve usar de sua visão periférica para avançar no momento correto e interceptar o passe. Como vantagens, é uma defesa que tende a recuperar um percentual maior de bolas, anulando o ataque adversário e facilitando os contra-ataques, mas, como desvantagens, pode sofrer os chamados "Back-doors". Jogada que ocorre no momento em que o jogador defensor tenta antecipar o passe e o adversário corre em direção à cesta, passando pelas suas costas, recebendo e finalizando.

    A marcação individual no jogador "sem a posse da bola", ocorre quando o jogador posiciona-se fechando a linha entre a bola, que está nas mãos de outro jogador, e o jogador que lhe foi designado a marcar, fechando a linha do passe, portanto (REIS, 2005). Conforme ilustra a "linha azul", na figura abaixo.

    Caso o seu oponente esteja alocado numa posição com poucas possibilidades de passe, realiza-se a denominada defesa em "flutuação", que consiste na ajuda que se faz na marcação de outro companheiro.

    Como vantagens, facilita a ajuda no momento das infiltrações adversárias e posiciona os jogadores mais próximos a cesta para um possível rebote; e, como desvantagens, facilita a troca de passes da equipe adversária e as viradas de bola para lados opostos da quadra, onde há o desequilíbrio defensivo, vulnerabilizando a defesa, caso não haja atenção de todos.

    Por fim, ainda existe a denominada - marcação individual pressão - que pode ser executada em todo quadra, ou apenas na sua metade. O objetivo é induzir os atacantes ao erro, pressionando-os, e, compelindo-os a precipitarem o passe, errarem um drible, perderem a posse de bola, esgotarem o tempo de posse de bola (no campo defensivo ou ofensivo) ou terem que realizar uma tentativa de arremesso de forma precipitada ou emergencial. O ponto negativo é o fato dos marcadores exporem-se às possibilidades de serem ultrapassado e/ou de realizarem faltas desnecessárias, em face do contato físico excessivo e intrínseco desta variação de marcação.

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